PORTO DE ITAJAÍ: Sem políticos, agora vai!
- Postado em 04/09/2009 às 12:04
Difícil traduzir melhor a percepção de muitos catarinenses do que o colunista do Diário Catarinense...
4 de setembro de 2009 | N° 8551
INFORME POLÍTICO | ROBERTO AZEVEDO
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A ausência de políticos na medição das estacas que vão fazer a sustentação dos berços de atracação do Porto de Itajaí dá uma certeza à população do município: acabou o palanque eleitoral e a coisa vai pra frente.
Foram tantas trocas de acusações, aliadas à falta de competência da Secretaria Nacional dos Portos, que nem a metragem dita pelos mandatários confirmou-se.
Falava-se em 32 metros, e a estaca, sem perfurar a areia ou o solo, ontem, cravou 49 metros, o que sugere uma profundidade maior e estacas de tamanho compatível, como as providenciadas agora.
A falta de participação dos políticos foi, sim, motivo de piada por parte dos operários no canteiro de obras da recuperação do porto.
OPINIÃO: Homem a homem
- Postado em 03/09/2009 às 02:57
ALEXANDRE DA ROCHA
No Jornal de Santa Catarina de hoje (3), foi publicada uma tabela com o cronograma das obras de reconstrução dos berços de Itajaí atingidos pelas cheias de novembro de 2008. Acima dela, a sugestão: recorte e cobre.
Recortar, não recortamos, mas fizemos o seguinte: como a era é da Internet e da preservação dos recursos naturais, baixamos o arquivo e estamos colocando o cronograma à disposição do público, em formato PDF.
Baixe o cronograma das obras de reconstrução aqui!
Depois de nove meses e meio de frustrações, embromações e conspirações, creio que uma lição se aprendeu -- é preciso "marcar homem a homem", como se diz no futebol.
Nada de achar que estão nos fazendo um favor, que estão sendo bonzinhos. Sem disciplina e sem cobrança, sem fiscalização e sem perguntas, logo o avanço das obras sofrerá com as forças de atrito da burocracia e do jogo eleitoral, até deitar novamente em berço esplendidamente roto.
Olho neles, minha gente!
DRAGAGEM EM TRANSE: coluna do DC critica paralisação
- Postado em 25/03/2009 às 09:35
O jornalista Moacir Pereira escreve, em sua coluna de hoje (25) no Diário Catarinense, a respeito da interrupção no serviços de dragagem "emergencial" do canal de Itajaí e Navegantes:
Itajaí
A crise financeira abala as economias de todo o mundo. Chegou à China, mas o governo mantém crescimento do PIB entre 7% e 8%. E garante investimentos no seu moderno sistema portuário. Lá não há esta burocracia, que retarda obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu, afetado pelas últimas enchentes. Lá, inexiste esta irritante burocracia que provoca suspensão nas obras inadiáveis, com prejuízos milionários para as empresas e toda a população.
Ironia: os chineses, que lá mostram eficiência e agilidade, aqui causam transtornos à economia. Contratados para a dragagem, primeiro enrolaram na transferência dos equipamentos. E, agora, alegam que o volume assoreado é maior do que o previsto, param tudo e ficam aguardando novas decisões de Brasília.
Das duas, uma: ou o consórcio das empresas chinesas não se preveniu a tempo, nos estudos de batimetria, para requerer aditamento contratual para concluir os serviços; ou a Secretaria Nacional de Portos perdeu-se nos entraves burocráticos, numa obra urgentíssima, onde cada dia de atraso representa prejuízos milionários para todos.
Aqui, outra vez, a disputa político-partidária e a incapacidade de gestão da sociedade civil. O governo federal não transferiu as verbas para Itajaí por razões políticas. Se a dotação estivesse com uma comissão gestora, em Santa Catarina, não teria havido paralisação dos serviços de dragagem.
Assim, enquanto, lá fora, os portos são ampliados e ganham modernos equipamentos para baratear os custos, em relação a Itajaí a centralização e a burocracia entravam todo o processo. E ficam todos, desesperados, correndo atrás do prejuízo.
COMPLEXO PORTUÁRIO: Moacir Pereira comenta paralisação da dragagem
- Postado em 25/03/2009 às 09:22
ALEXANDRE ROCHA
O colunista da RBS Moacir Pereira comentou ontem (24), em seu blog, a suspensão dos serviços de dragagem do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes.
Eis a íntegra da nota, revisada:
Terça-feira, 24 de março de 2009
Porto
A suspensão dos serviços de dragagem do rio Itajaí-Açu, afetando drasticamente as operações do porto de Itajaí, teve repercussão na Assembleia.
O deputado Aderbal Alcântara (PMDB) dirigiu apelo veemente ao ministro Pedro Brito para que libere logo os pagamentos pendentes à empresa chinesa contratada para execução dos serviços. A empresa alega que a Secretaria Nacional de Portos não paga de acordo com o cronograma das obras.
Quer dizer: um porto fundamental para a economia de Santa Catarina fica na dependência de esquemas burocráticos de Brasília. Uma lástima!
OPINIÃO: Entre a cruz e a espada
- Postado em 24/03/2009 às 21:45
ALEXANDRE ROCHA
A notícia de que as operações de dragagem emergencial do canal de acesso ao Complexo Portuário do Itajaí estão interrompidas desde quinta (19), conforme noticiado no último sábado, provocou a realização de uma reunião de emergência do Conselho da Autoridade Portuária ontem (23) e a produção de uma nota oficial da Autoridade Portuária.
Isto não impediu, de acordo com o Diário Catarinense de hoje, que representantes dos transportadores marítimos recorressem à ameaça de retirar escalas de Itajaí e Navegantes.
Bastava que não se houvesse feito pouco caso do reconhecido conhecimento que estava (e está) disponível aqui perto, e não teria a situação chegado a este ponto.
Desde dezembro de 2008, tem-se verberado este processo de dragagem eivado de deslizes, equívocos e lapsos.
Faltou-lhe e falta-lhe transparência. Só os iniciados conhecem os termos da Carta de Pedro aos Itajaienses.
Faltou e falta-lhe gestão. Quem administra (?) o processo é um órgão do Governo Companheiro notoriamente mais empenhado em fazer "economia de palitos" às custas da praticagem do que em dar ao Brasil a infraestrutura portuária de que precisa para avançar.
Faltou e falta-lhe operação competente. Outra coisa não poderia resultar da (con)fusão entre uma burocracia alheia ao povo da região e um consórcio sem qualquer experiência anterior no negócio.
Faltou compromisso com a segurança e eficiência da navegação. Nem sequer um gerente ou operador da segurança do tráfego aquaviário, público ou privado, foi consultado pela Secretaria Especial de Portos durante toda a realização da dragagem.
Agora, os armadores, ao atirar contra o atraso do Governo federal, conseguiram, a um só tempo, três feitos pouco meritórios -- revelar a futilidade do pacto de Itajaí para fidelizar seus clientes; demonstrar insensibilidade ao semear insegurança entre os milhares de empregadores e empregados dependentes da atividade portuária; e, de lambuja, a$$umir cabalmente onde a $ua lealdade e$tá.
Definitivamente, Itajaí está bem servida. De um lado, a alienação de governantes encastelados em gabinetes à prova de marolinhas; de outro, a indiferença do oligopólio privado e desregulado.
Não é preciso muito esforço para descobrir quem vai pagar a conta desta nova calamidade.
ALEXANDRE ROCHA é Oficial de Náutica da Marinha Mercante, pós-graduado em Seguros Marítimos pela Universdade Marítima Mundial (Suécia) e membro do The Nautical Institute (Reino Unido) e do PIANC (Bélgica).