CLIPPING | COMÉRCIO EXTERIOR: SC muda de lado na balança

19.04.2010

Carros importados desembarcam às pencas no Complexo Portuário de Itajaí. Eletrônicos, bugigangas chinesas, roupas, celulares, condicionadores de ar, equipamentos industriais, matérias-primas, alimentos e bebidas. Hoje, não há o que não entre no Brasil pelos portos de Santa Catarina, um Estado que sempre se gabou de ser essencialmente exportador.

A mudança no perfil tem muito a ver com a questão cambial, afinal o dólar não está mais competitivo para quem quer vender no mercado mundial. O que o torna extremamente atrativo para comprar importados. Mas não é só isso. O governo do Estado deu um empurrãozinho ao conceder benefícios fiscais generosos para importações feitas pelos portos de SC.

Segundo o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert, a estratégia considerou que as importações trariam mais divisas e arrecadação de impostos. Foram criados mecanismos que deram resultado, tanto que as importações passaram de US$ 931 milhões em 2002 para US$ 8 bilhões em 2008, alta de 752%.

– Na arrecadação, houve aumento de quase 100%, de R$ 220 milhões ligados às importações, em 2002, para R$ 410 milhões em 2010 – projeta Siewert. – O mais importante foi o crescimento da cadeia periférica do setor, na forma de empregos, melhoria da logística e dos serviços prestados.

Os benefícios fiscais passam pela redução da alíquota de ICMS, que fica entre 3% e 4% nas importações, contra uma média de 17% praticada em outras operações, o que garantiu a geração de 600 novos projetos para o setor, cerca de 46 mil empregos e R$ 10 bilhões de investimentos, 45% deles em tradings (expressão inglesa para designar empresas que operam no comércio internacional).

As vantagens provocaram um salto no número de empresas do setor na região de Itajaí, que conta com o maior complexo portuário do Sul do país. São quase 200 tradings focadas em importação, aponta o diretor da Tek Trade, Sandro Marin, irmão do presidente do recém-formado sindicato das tradings, Rogério Marin.

A Tek Trade, de Marin, importa carros chineses da marca Effa Motors, pelo terminal alfandegado Teporti (veja matéria abaixo). Hoje, são importados 350 carros por mês, número que deve chegar a 800 até o fim do ano. Para o início de 2011, a meta é trazer 1 mil carros por mês.

– Os benefícios contribuíram para o crescimento da região e do Estado. Mas a parte logística, a localização estratégica de Itajaí, a economia interna aquecida e estável e a situação cambial também foram fundamentais – explica Marin.

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