DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS
RIO DE JANEIRO, RJ. Em 28 de dezembro de 2008.
ORDEM DO DIA Nº3/2008
Assunto: Dia da Marinha Mercante Brasileira.
Celebramos, nesta data, o 195° aniversário de nascimento de Irineu Evangelista de Souza, Visconde de Mauá.
Nascido no município de Arroio Grande, então distrito do Jaguarão, estado do Rio Grande do Sul, veio a se tornar um dos grandes impulsionadores da Indústria Naval, mantendo-se à frente das principais iniciativas para seu desenvolvimento.
Em 1845, Irineu criou os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, ousado empreendimento, que veio a se tornar o embrião de nossa indústria de construção naval. Em um ano já se tornara a maior indústria do País, empregando mais de mil operários e produzindo, principalmente, navios e caldeiras para máquinas a vapor.
Irineu Evangelista de Souza também foi um dos pioneiros no campo dos serviços públicos: fundou uma companhia de gás para a iluminação pública do Rio de Janeiro; organizou as companhias de navegação a vapor do Rio Grande do Sul e do Amazonas; implantou nossa primeira estrada de ferro; e, inaugurou o trecho inicial da União e Indústria, primeira rodovia pavimentada do país, entre Petrópolis e Juiz de Fora.
Seu estilo de administrador liberal e inovador muito contribuiu para o desenvolvimento de nossa Marinha Mercante, razão pela qual foi escolhida a data de seu nascimento como o Dia da Marinha Mercante Brasileira.
Hoje, paralelamente ao crescimento do nosso comércio marítimo internacional, muito vem se desenvolvendo, no Brasil, a navegação de cabotagem e a de apoio marítimo. As novas jazidas de gás e óleo, identificadas em nossa Amazônia Azul, vêm gerando uma grande demanda por embarcações de apoio marítimo.
Na navegação interior, o crescimento não é menos importante, com a utilização crescente de nossa imensa malha hidroviária, reconhecidamente mais econômica e com menos impactos ambientais, quando adequadamente gerenciada.
O mesmo vem ocorrendo com a atividade de pesca, conscientizados que estamos sobre sua importância comercial, quando explorada de forma sustentável e com emprego de embarcações apropriadas.
As tormentas decorrentes da emergente crise econômica mundial provocarão, possivelmente, redução da demanda, nas áreas de longo curso e da cabotagem, o que, entretanto, não deverá trazer reflexo maior para o processo de ressurgimento de nossa Marinha Mercante, impulsionada que vem sendo pela atividade “offshore” e, agora, se difundindo, paulatinamente, por todos seus segmentos de atuação.
Como conseqüência, no contexto de suas atribuições, a Autoridade Marítima vem se ajustando a esta nova realidade e ampliando sua capacidade para um adequado desencargo de suas atribuições voltadas para o aprimoramento do Ensino Profissional Marítimo, para a Segurança da Navegação, para a preservação no meio ambiente hídrico e para a condução de políticas nacionais que digam respeito ao mar.
É, pois, com grande satisfação que rendemos nossas homenagens àqueles que, em nossos navios, nos estaleiros, nos portos e nos terminais nacionais, movimentam cargas, realizam serviços, constroem e reparam embarcações, contribuindo, decisivamente, para o desenvolvimento de nosso País.
Que a inteligência e as realizações de Irineu Evangelista de Souza sirvam como fonte de inspiração a todos os que desejam uma Marinha Mercante próspera e eficaz, aos que trabalham dia e noite nas embarcações de apoio portuário e àqueles cuja atividade profissional, a bordo ou em terra, esteja relacionada com a navegação, seja ela de longo curso, de cabotagem, interior ou de apoio marítimo.
O país necessita e depende do trabalho de cada um desses homens e mulheres, que, dia a dia, contribuem para o desenvolvimento da Marinha Mercante Brasileira.
PAULO JOSÉ RODRIGUES DE CARVALHO
Vice-Almirante
Diretor