Na indústria do transporte
marítimo, o serviço de praticagem
se destaca por suas características únicas.
O principal dever dos práticos é prestar
um serviço essencial à proteção
do interesse público, através do gerenciamento
cuidadoso do tráfego dentro da zona de praticagem.
É na fase mais crítica de uma viagem,
quando o navio precisa trafegar em uma zona de águas
restritas, com características únicas
e pouco familiares ao comandante, que o prático
se dirige para bordo a fim de auxiliar o navio a
manobrar com segurança e eficiência
em meio a tráfego intenso e condições
ambientais não raro desfavoráveis.

Um
aspecto que merece especial atenção
é o papel essencial da praticagem
no gerenciamento seguro dos portos. Este aspecto
da atividade é que torna indispensável
ao prático contar com liberdade para exercer
seu juízo profissional, independentemente
de pressões comerciais ou econômicas.
Por estes motivos, a praticagem é obrigatória
para quase todos os navios nos portos brasileiros.
Os práticos também são especialistas
em manobra de navios, o que ganha importância
cada vez maior com o aumento do porte das embarcações;
além disto, viabilizam as comunicações
necessárias com serviços como os de
amarração e rebocadores.

O treinamento de um prático precisa ser longo
e meticuloso, em vista do valor dos navios e de
suas cargas. Normalmente, estes profissionais fizeram
sua carreira no mar e aprendem o seu novo ofício
no contato com práticos mais qualificados
e experientes e na experiência concreta de
cada manobra. Além disto, contam com a possibilidade
de executar simulações computadorizadas
ou em modelos reduzidos. Mas, para manter o elevado
padrão obtido e superá-lo, o prático
deve empenhar-se no aprendizado constante, tanto
a bordo quanto em terra.
O intrigante relacionamento entre prático
e comandante, baseado no respeito e confiança
mútuos, garante um nível sem paralelo
de segurança a uma sociedade que exige, da
indústria do transporte marítimo,
a excelência.